Liderança indígena do Rio Negro reforça na ONU combate à discriminação contra as mulheres
A diretora da Foirn, Janete Alves, do povo Desana, apresentou uma série de reinvidicações em reunião do Comitê para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (Cedaw), na Suíça
Janete Alves, do povo Desana, em reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) na Suíça|Renata Vieira/ISA
As mulheres indígenas da Amazônia foram representadas nesta segunda-feira (20/05) no Comitê para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (Cedaw) da ONU, em Genebra, na Suíça, por Janete Alves, do povo Desana, diretora da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).
Ela participa, ao lado de outras mulheres indígenas e não indígenas, da 88ª Sessão de Avaliação do Brasil na Convenção da ONU sobre esse tema.
Janete Desana é liderança feminina da região de Iauaretê, distrito de São Gabriel da Cachoeira (AM), na fronteira com a Colômbia, e, para a sessão na ONU, pintou em seu rosto grafismos tradicionais do seu povo que significam mulher feliz e guerreira.
Em sua fala, ela pontuou uma série de pressões que as mulheres da região estão sofrendo, sobretudo a invasão de garimpeiros, que leva à contaminação da água e peixes pelo mercúrio, e o problema do tráfico internacional de drogas.
Além disso, Janete destacou as deficiências na saúde da mulher, que resultam em várias consequências, como a mortalidade por câncer de colo do útero e a ausência de medicina indígena no sistema de saúde formal.
A diretora da Foirn trouxe recomendações ao Estado brasileiro, dentre as quais que incorpore em seus quadros profissionais “nossos pajés, benzedores e parteiras e que contrate mulheres para tratamento ginecológico”.
“Que realize fiscalização territorial retirando os invasores das Terras Indígenas. Que nosso direito à consulta prévia previsto na Convenção 169 da OIT seja respeitado e que nossos Protocolos de Consulta sejam reconhecidos pelo Estado para todo projeto de extração mineral ou petróleo que afete nossos rios e nosso bem viver. Muito obrigada! Añu’u!”, disse, finalizando a fala com um agradecimento na língua Tukano.
Janete Desana representou a Rede de Cooperação Amazônica (RCA) que é integrada por 14 Organizações Indígenas e Indigenistas da Amazônia Brasileira, entre elas o Instituto Socioambiental (ISA).
Ela está acompanhada pela advogada do Programa Rio Negro do ISA, Renata Vieira. Segundo ela, as discussões vão acontecer durante toda essa semana e, ao final, o Cedaw fará recomendações aos governos para ações de combate à discriminação contra as mulheres.
Segundo Renata Vieira, a fala de Janete Desana como liderança indígena feminina reforça as vozes das mulheres, adolescentes e crianças indígenas vítimas de discriminação que geram violência de diversas formas.
Foram preparados e encaminhados dois relatórios com o objetivo de realizar uma avaliação da implementação dos direitos previstos na Cedaw, à luz da Recomendação número 39, que apresenta um conjunto de ações que devem ser tomadas pelos Estados para prevenir e proteger as mulheres e meninas indígenas contra a violência de gênero.
O Comitê reconhece que a violência de gênero contra mulheres indígenas é uma forma de discriminação e que ela afeta de forma desproporcional as meninas e mulheres indígenas.
Um dos relatórios foi elaborado pelo Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) em parceria com o ISA, a RCA e Instituto Raça, Igualdade e Direitos Humanos. O DMIRN/FOIRN representa mulheres de 23 etnias, como Baré, Desana, Baniwa, Tukano, Dâw, Yanomami que vivem no território do Médio e Alto Rio Negro.
O documento (em espanhol) traz informações sobre dados coletados por meio de pesquisas, relatórios técnicos, depoimentos, cartas, atas de assembleias e vivências na última década pelas mulheres indígenas da região do Rio Negro, que concentra dois dos municípios mais indígenas do país, localizados na fronteira com Venezuela e Colômbia. Também traz uma lista de questões e recomendações relacionadas às dificuldades de acesso à saúde pública, segurança, direitos, entre outros.
Outro relatório foi elaborado pela Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM), Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), RCA, Instituto sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos e traz elementos sobre a situação das mulheres indígenas do Oiapoque, Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa, também na Amazônia Brasileira, tendo como base as questões e demandas das mulheres indígenas dos povos Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali’na e Palikur.
A Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) também encaminhou ao comitê da ONU um relatório sobre a situação das mulheres indígenas.
Confira o discurso completo ou assista no instagram da Rede de Cooperação Amazônica!
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Livro 'Diários Yanomami' será lançado na Universidade Federal de Roraima
Evento em 24 de maio, "Reahu na UFRR", apresenta obra de cinco autores Yanomami que registraram percepções sobre as mudanças na maior Terra Indígena do Brasil entre 2019 e 2022; livro está em pré-venda na loja online do ISA
Diários Yanomami: Testemunhos da Destruição da Floresta, livro escrito por cinco autores indígenas da Terra Indígena Yanomami, entra em pré-venda nesta quarta-feira (15/05) na loja do Instituto Socioambiental (ISA). A publicação será lançada em Boa Vista, Roraima, durante o evento “Reahu na UFRR”, com palestra do xamã Davi Kopenawa na Universidade Federal de Roraima (UFRR).
Reserve o seu exemplar de Diários Yanomami: Testemunhos da Destruição da Floresta, na loja online do ISA.
Reahu, que pode ser traduzido do Yanomae para o português como festa ou celebração, é o principal ritual dos Yanomami. Durante o evento na UFRR, Kopenawa também lança seu novo livro O Espírito da Floresta, que repete a parceria de sucesso com o antropólogo Bruce Albert.
Os autores do Diários Yanomami são Mozarildo Yanomami, Darysa Yanomami, Josimar Palimitheli Yanomami, Alfredo Himotona Yanomama e Marcio Hesina. Eles apresentam a percepção deles e de seu povo sobre os impactos do garimpo na Terra Indígena Yanomami entre 2019 e 2022, período em que o Jair Bolsonaro (PL) ocupava o cargo de presidente do Brasil. A gestão foi marcada por políticas que estimularam a invasão garimpeira no território.
A publicação conta com relatos em formato de diários, registro de depoimentos e também entrevistas feitas pelos indígenas. O livro é bilíngue e sempre apresenta a primeira versão do texto em Yanomae com a tradução para português na página seguinte.
“Eu quero que vocês, brancos que nos defendem à distância, ouçam estas minhas palavras”, inicia o capítulo “Diários”, escrito pelo pesquisador Mozarildo Yanomami. A reflexão de Mozarildo passa pela violência dos garimpeiros contra as mulheres, sobre o desconhecimento dos não indígenas às violações que os Yanomami sofrem e o desejo de que esta publicação jogue luz sobre o tema e ajude a salvar o povo dele.
“Meu trabalho nesta pesquisa Urihi Temi teve um propósito, foi sério. Então, o que pensam depois de ler estas minhas palavras? Mando-as de onde moro, na Terra Yanomami. Não foi um filho de branco que fez esta pesquisa. Portanto, acreditem nelas”, pontua Mozarildo.
A pesquisa, o olhar sensível e as recordações de Mozarildo atravessam a onda de violência causada pelos invasores, mergulha na infância do pesquisador, detalha o encontro que teve com os garimpeiros ilegais na sua terra natal e descreve os cuidados dos Yanomami com a floresta (Urihi a) apesar de perceberem a devastação da terra e a seca dos rios enquanto os invasores “se apossam da terra”.
Na parte de entrevistas, Alfredo Homotona disseca as transformações que o garimpo causou no modo de vida dos Yanomami - da cultura, natureza, liberdade e relações pessoais. Com entrevistados de diferentes regiões das terras altas, muitos hospedados na Casa de Saúde Indígena (Casai) em Boa Vista, como pacientes ou acompanhantes de parentes enfermos.
Alfredo captura o depoimento de mulheres, anciãos e principalmente de jovens que foram cooptados, usados e enganados por promessas dos garimpeiros ilegais.
A pesquisadora e comunicadora Darysa Yanomami reuniu depoimentos de diversas mulheres das terras-baixas, na Terra Indígena Yanomami. Ela apresenta uma sequência de 12 depoimentos com mulheres de diferentes regiões impactadas pela atividade ilegal: corrupção de jovens, assédio às mulheres, destruição dos alimentos e oferta de comida industrializada em troca de silêncio e favores.
“Fiquei muito preocupada ao ver as imagens de crianças desnutridas em outras regiões. É esse o rastro que deixam os garimpeiros onde ficam perto [dos Yanomami], por isso, não os queremos. Eles nos trazem muito sofrimento, por isso, não queremos que se aproximem. Quando os garimpeiros poluem nossa terra, a malária se alastra muito”, conta uma moradora da região de Wakatha que diz temer e chorar muito pelo futuro dos netos.
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Darysa Yanomami, autora do livro Diários Yanomami|Corrado Dalmonego
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Jovens Yanomami em oficina sobre tradução em 2017|Corrado Dalmonego
“Quando a floresta era bonita”, “quando os garimpeiros invadiram a terra” e “a trapaça dos garimpeiros”. Estes são alguns dos títulos dos diários de Josimar Palimitheli Yanomami. Ele relata como os garimpeiros chegaram ao Palimiu após enganarem algumas lideranças com promessas não cumpridas e como os Yanomami experimentaram a rápida devastação da terra e a poluição dos rios.
“Antigamente, nossos rios eram bonitos, a água era limpa, escura. Os peixes também eram limpos. Era bom, mas quando chegaram muitos garimpeiros, eles poluíram nossos rios. Instalaram suas balsas no meio do rio. Os que subiam de barco, jogavam lixo. Então, os peixes comiam os dejetos sujos e gordurosos das máquinas deles. Ao comer aquela sujeira, os peixes se contaminaram, a carne amoleceu. Foi isso que os garimpeiros fizeram quando começaram a chegar em grandes números e trabalhar com as balsas”, escreve Josimar em seus diários.
Com detalhes, Josimar relembra a primeira vez que o povo de Palimiu viu sacos de lixo em seu rio. As sacolas plásticas estavam acompanhadas de um corpo boiando de um dos garimpeiros. A data era 12 de junho de 2022 - um domingo - e marcava o início de uma era de terror para os Yanomami com conflitos armados e muitas ameaças por parte dos garimpeiros.
Márcio Hesina apresenta a última parte do Diários Yanomami. Ele introduz uma pesquisa sobre o emagrecimento das crianças no Haxiu. Adoecido durante a fase de investigações, Márcio conseguiu fazer o trabalho com famílias de quatro comunidades e ouvir pacientes da Casai, mas não chegou a finalizar o estudo.
Diários Yanomami é um livro realizado pela Hutukara Associação Yanomami (HAY) e o Instituto Socioambiental (ISA). A produção editorial é assinada por Estêvão Senra, geógrafo do ISA, que também faz parte dos times de organização e edição junto a Alcida Ramos e Corrado Dalmonego. A tradução de Yanomae para Português foi feita por Dalmonego conjuntamente com os pesquisadores.
A publicação tem apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Rainforest Foundation Norway e do Centro de Documentação Indígena (Missionários da Consolata). Também contribuem com apoio financeiro o Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO).
Serviço
Lançamento dos livros Diários Yanomami e O Espírito da Floresta no Reahu na UFRR
Data: Sexta-feira, 24/05, a partir das 18h30
Local: Centro Amazônico de Fronteira (CAF) na Universidade Federal de Roraima
Endereço: Av. Nova Iorque, 48-188 - Aeroporto, Boa Vista - RR
Entrada aberta ao público!
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Estiagem prolongada, racionamento e fumaça marcaram estação seca no Médio e Alto Rio Negro
Indígenas da região relataram que os cantos das rãs anunciaram as cheias, mas as chuvas demoraram
Roberval Sambrano, povo Tukano, traz observações sobre o canto das rãs e a chegada das chuvas|Danilo Parra/ISA
Entre o final de fevereiro e começo de março, na região do Rio Tiquié, Alto Rio Negro (AM), os cantos das rãs têm início, anunciando as cheias. Este ano, nessa época, as rãs já estavam cantando na comunidade de São Pedro, mas as chuvas atrasaram.
“As rãs cantam na época logo antes da cheia. Agora, embora as rãs estejam cantando, o rio não está subindo, pelo contrário, está secando”, relatou Roberval Sambrano Pedrosa, do povo Tukano, Agente Indígena de Manejo Ambiental (AIMA).
Essas observações coincidem com as indicações dos órgãos oficiais. No ano em que o Amazonas apresentou seca recorde, a estiagem no Médio e Alto Rio Negro foi prolongada, com o período de mínima registrado antes do esperado, altas temperaturas, sensação de água fervente, racionamentos de energia e alimentos e, ainda, o impacto de fumaça de incêndios ocorridos em outros pontos da Amazônia, principalmente Roraima.
Nessa região, a estação seca vai de agosto a março, sendo que historicamente aumenta em janeiro e fevereiro - em São Gabriel da Cachoeira, o recorde foi atingido em fevereiro de 1992, quando o Rio Negro chegou a 330 cm.
Na estação seca entre 2023 e 2024, a situação foi diferente. A mínima aconteceu em 9 de novembro, com o rio atingindo 492 cm. Em seguida, no final de 2023, foi registrado o chamado repiquete – o rio sobe para em seguida voltar a descer.
Mas, em março deste ano, a situação da seca se acentuou novamente, com o rio atingindo 533 cm no dia 1º de março. Esse nível está abaixo do ano da seca recorde: em março de 1992, o rio estava em 573 cm.
Conforme informações do Serviço Geológico do Brasil - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB-CPRM), entre agosto de 2023 e fevereiro de 2024, houve um déficit de 30% nas chuvas na bacia do Rio Negro e Solimões. A média é de 1.290mm, mas choveu 925mm, refletindo no nível dos rios.
Uma possível explicação é o El Niño e o aquecimento das águas do Oceano Atlântico, alongando a seca e propiciando incêndios em algumas regiões da Amazônia. Em São Gabriel da Cachoeira, não foram registrados incêndios. Mas a fumaça chegou até o Alto Rio Negro, mesmo essa sendo uma das regiões mais preservadas das Amazônia.
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Fumaça de incêndios em outros locais da Amazônia atingiram São Gabriel da Cachoeira|Ana Amélia Hamdan/ISA
Ane Alencar, geógrafa e diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), afirmou que o impacto do início de período chuvoso na região ainda não foi suficiente para recuperar a vazão do rio.
“O El Niño normalmente causa seca na Amazônia e, dependendo da sua intensidade, vai causar mais seca. O que houve em 2023 é um El Niño forte e, ainda, o aquecimento desproporcional das águas do Atlântico, tirando umidade do sistema. Esses dois efeitos por algum motivo se juntaram e se potencializaram e geraram essa seca desproporcional que afetou principalmente o Norte do Amazonas, que pega a região conhecida como Cabeça do Cachorro, Roraima, Norte do Pará. A região continental da Amazônia”, explicou.
A região do município de São Gabriel da Cachoeira é conhecida como Cabeça do Cachorro devido a seu contorno no mapa.
Conforme apontou a pesquisadora, nessa área a seca se estendeu tanto no início quanto no fim, gerando anomalias no calendário tradicional e impactando o dia a dia das comunidades.
O nível dos impactos ainda está sendo analisado. “Os impactos podem ser mais preocupantes, visto que o ecossistema como um todo, plantas e animais, não estão acostumados a esse tipo de estresse. O impacto ecológico acaba interferindo também nas comunidades e seus calendários, inclusive para a segurança alimentar dos povos da Amazônia”, analisou.
Relatos dos povos do Rio Negro
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Damião Barbosa, povo Yepamasã, relata que o rio encheu menos que o esperado| Danilo Parra/ISA
Essas alterações no calendário tradicional vêm sendo observadas pelos AIMAs. Damião Barbosa, do povo Yebamasã, também integra a Rede de AIMAs e compartilha algumas das suas observações feitas na região do Rio Tiquié, onde ele mora, na comunidade de São Filipe.
“Lá no Igarapé Castanho, o verão passado foi muito forte, começou perto de agosto. Nessa época (março de 2024) seria tempo de piracema, mas está um pouco atrasada. As rãs já cantaram, mas a piracema ainda não veio. As rãs cantaram em janeiro e fevereiro e nessas épocas os rios e lagos encheram, mas pouco em comparação com os outros anos. Além das rãs, tem esse sapo, o tuhuã, que cantou muito, ele canta nessa época de umari. Nós estamos esperando uma grande piracema (o som desses animais indica a época de subida do rio, que é quando ocorrem os eventos de reprodução dos peixes) porque as fêmeas de alguns peixes já estão com muitas ovas, como o aracu três pintas, o pacu, a traíra, e o jandiá, todos eles estão só esperando o rio encher para começar a reproduzir. Também a constelação que está caindo agora é Bigode de Onça (Yai Uhsekopuari, em Tukano) que é quando ocorre a maior enchente”, disse.
O comunicador João Alex Lins, do povo Yanomami e integrante da Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas, informou que na comunidade Maturacá, na porção do Amazonas da Terra Indígena Yanomami, a seca do Rio Cauaburis foi alarmante.
“Essa [seca] que a gente vivenciou, os fatos narrados pelos mais velhos, é que a seca sempre existiu, mas não como essa que a gente presenciou. Os rios ficaram muito secos, o calor do sol ficou assustador e irritante. Percebemos essas mudanças climáticas em todas as regiões do planeta. Se percebe e é preocupante. É atingido por dificuldade de locomoção, a gente depende muito das viagens fluviais”, contou.
Apesar dessa situação, ele avalia, a floresta pode ter evitado uma situação mais drástica: “quanto mais floresta, mais capacidade de gerar chuva e mais capacidade da água ficar no sistema quando chove, porque a água não vai evaporar ou lixiviar muito rápido. Então, sim, a floresta é muito importante para aumentar a capacidade de resistir à seca”.
A seca histórica de 2023 no Amazonas afetou todas as 62 cidades do Amazonas e, segundo a Defesa Civil do Estado, atingiu diretamente a mais de 600 mil pessoas.
Em Manaus, o Rio Negro atingiu a marca de 135,9 cm, a menor desde 1902, quando começou a medição no porto da capital. Na capital, o chamado verão amazônico (quando chove menos) vai de junho a outubro.
No Alto Rio Negro, houve diversos impactos da estiagem severa. As balsas que transportam combustível que abastece os postos e a termelétrica de São Gabriel, assim como alimentos, não conseguiram subir o rio, levando a um quadro de desabastecimento.
Em 18 de outubro do ano passado, autoridades se reuniram no Fórum local para discutir a questão. No dia seguinte, moradores organizaram um protesto em frente a essa instituição, cobrando providências.
Na época, foi informado que a cidade teria combustível somente por mais quatro dias, havendo risco de apagão. Para que a população não ficasse totalmente sem fornecimento de energia, foi estabelecido racionamento de até 18 horas ao dia entre 19 e 23 de outubro, levando a uma série de transtornos e impactos até nos serviços essenciais, como atendimento nos centros de saúde.
Em novembro, a comunicadora indígena Juliana Albuquerque, do povo Baré, da Rede Wayuri, fez uma foto denunciando o lixo às margens do Rio Negro, em um dos principais portos da cidade. A foto viralizou na cidade e levou à mobilização Dia D – o Rio Negro não é lugar de lixo, que coletou cerca de 10 T de lixo. A mobilização foi finalista no Prêmio Megafone de Ativismo.
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Sujeira exposta em um dos principais portos de São Gabriel. Seca severa trouxe riscos à saúde e ao ambiente|Juliana Albuquerque, povo Baré/Rede Wayuri
Além disso, durante todo esse período, ocorreram problemas como o racionamento de energia e água, dificuldade de acesso à água nas comunidades indígenas, sensação de água fervente no rio, morte de peixes principalmente nos lagos, falta de produtos alimentícios nos supermercados, alta de preços, suspensão de aulas.
O transporte de passageiros nos barcos recreio - embarcações maiores, com espaço para pendurar redes - foram suspensos em alguns períodos, ficando disponível apenas a lancha rápida.
Em março deste ano, o rio ficou abaixo da mínima histórica, indicando uma maior lentidão na recuperação. O transporte de passageiros foi novamente suspenso. A termelétrica já havia se organizado com o estoque de combustível, não havendo falta de energia. Entretanto, os moradores conviveram com falta do fornecimento de água.
No início de abril, as chuvas começaram na região, mas continuam abaixo da média. Em São Gabriel, o serviço das balsas ainda não havia se normalizado totalmente, conforme informações de comerciantes da cidade.
Previsões
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Na orla principal de São Gabriel, faixa extensa de areia indica recuperação lenta do rio|Ana Amélia Hamdan/ISA
Em 2024, os rios do Amazonas devem ter cheia menos intensa, conforme o Serviço Geológico do Brasil (SGB), cenário resultante da seca severa de 2023 e de chuvas abaixo da média, o que dificulta a recuperação dos rios. As previsões contemplam os municípios de Manaus, Manacapuru, Itacoatiara e Parintins.
No noroeste do Amazonas, onde está São Gabriel da Cachoeira, as projeções indicam chuvas acima da média.
O órgão divulgou o Alerta de Cheias do Amazonas em 2 de abril. “Podemos destacar, por meio dos modelos de previsão, que a cheia de 2024 no Amazonas não será de grande magnitude”, informou a pesquisadora em geociências do SGB, Jussara Cury.
Segundo as previsões (com 80% de intervalo de confiança), o Rio Negro deve atingir 27,21 m em Manaus, com possibilidade de chegar à máxima de 28,01 m.
As previsões climatológicas, divulgadas pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), indicam que as chuvas na Região Amazônica podem retornar à normalidade com o fim do El Niño.
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Cine Japu exibe filmes e conecta pessoas em cidade indígena do Rio Negro
Em seu primeiro ano, iniciativa contou com a participação de quatro cineastas e reuniu cerca de 630 pessoas em São Gabriel da Cachoeira (AM)
Revoada dos pássaros Japu no Rio Negro. Fenômeno inspirou o nome do projeto cultural Cine Japu|João Claudio A. Moreira/Divulgação
Em São Gabriel da Cachoeira, cidade do Amazonas às margens do Rio Negro e cercada pela floresta, diariamente, por volta das 18h30, acontece a revoada dos pássaros japu. E logo após esse horário, quinzenalmente, chega também a hora do Cine Japu.
O projeto levantou voo em 2023 por iniciativa do Instituto Socioambiental (ISA), com participação da Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas. Até o momento, foram promovidas 15 sessões, reunindo um público de cerca de 630 pessoas – média de 42 por sessão. Na plateia, de predominância indígena, há estudantes, professores, religiosos, funcionários públicos, militares, pessoas de todas as idades.
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Lançamento do Cine Japu contou com a presença dos comunicadores da Rede Wayuri e do cineasta indígena Moisés Baniwa|Ana Amélia Hamdan/ISA
Além das sessões de cinema, o Cine Japu promove rodas de conversa e encontros para ampliar horizontes, fortalecer a cultura indígena, conectar pessoas, mostrar realidades diversas, informar e divertir.
Para a coordenadora-adjunta do Programa Rio Negro do ISA, Natália Pimenta, o Cine Japu é um projeto que vem promovendo o encontro de que aproxima a organização da cidade de São Gabriel da Cachoeira, seus moradores e instituições e, por isso, é tão importante. “Com o Cine Japu, estamos convidando as pessoas para virem ao ISA, que está de portas abertas para a comunidade de São Gabriel”, falou.
À frente dessas rodas, conduzidas pela comunicadora Suellen Samanta, povo Baré, estiveram quatro cineastas: Moisés Baniwa, Mariana Lacerda, Júlia Berstein e Maya Da-Rin. Outros debates foram realizados por funcionários públicos, pesquisadores e lideranças indígenas.
“Conseguimos trazer nas sessões emoção e reflexão para os nossos espectadores, principalmente chamando atenção para diversas questões e realidades. O Cine Japu também possibilitou a transmissão de valores de luta, sobrevivência e conquistas dos direitos da causa indígena. Através do cinema e da arte, conseguimos alcançar este espaço de grande importância e representatividade para a população gabrielense”, refletiu Suellen Samanta.
As sessões de 2023 foram inauguradas e encerradas por indígenas. A primeira exibição do Cine Japu aconteceu em maio, com o filmeWayuri, de Diana Gandra, documentário que traz a história dos cinco primeiros anos da rede de comunicadores. Na roda de conversa, estavam os protagonistas: os próprios comunicadores.
Na mesma noite foi exibido o documentário Wetapena Nette Ianhapakatti (“Nossos remédios e benzimentos”), de Moisés Baniwa, também presente na sessão.
Já na última exibição de 2023, em novembro, o Cine Japu – que acontece no telecentro do ISA – levantou voo e chegou à Maloca-Casa do Saber da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), com o lançamento em São Gabriel da Cachoeira do documentárioRionegrinas, que narra a história de luta e resistência das mulheres dentro do movimento indígena do Rio Negro.
A primeira exibição do documentário aconteceu em setembro, na Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília, em comemoração aos 20 anos do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN-Foirn).
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Última sessão de 2023 aconteceu na Maloca-Casa do Saber|Ana Amélia Hamdan/ISA
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Casa cheia para exibição do documentário Rionegrinas|Ana Amélia Hamdan/ISA
O Cine Japu também recebeu ao longo de 2023 três diretoras de cinema. A cineasta Mariana Lacerda trouxe o delicado e impactanteGyuri, com exibições em Boa Vista, Manaus e São Gabriel da Cachoeira. Ela conduziu a roda de conversa ao lado da liderança indígena Braz França, povo Baré, – que faleceu alguns meses depois – e da artista Rosi Waycon, do povo Piratapuya. O filme mostra a ligação da fotógrafa Claudia Andujar com o povo Yanomami.
Na plateia, a enfermeira Clara Opoxina, que trabalha com os Yanomami, se emocionou ao comentar que a crise retratada na tela estava se repetindo no atual momento devido à invasão garimpeira.
A cineasta Julia Bernstein participou da sessão que exibiu o filmeKarai ha'egui kunha karai 'ete - Os Verdadeiros Líderes Espirituais, de Alberto Alvares. Ela fez parte da equipe de filmagens. Júlia Bernstein desenvolveu oficinas com comunicadores indígenas e repassou sua experiência.
Para ela, o cinema pode aproximar os jovens indígenas de suas tradições. “O audiovisual, que é uma coisa da tecnologia, que interessa muito aos jovens, pode reconectar os jovens com a tradição também. O que o Alberto faz é a preservação da memória, do modo de vida Guarani e da história das pessoas”, disse ela, na roda de conversa.
Maya Da-Rin exibiu em São Gabriel da Cachoeira o filmeA Febre, conduzindo a roda de conversa. No elenco do filme estão dois indígenas de São Gabriel da Cachoeira: Regis Myrupu e Rosa Peixoto. Boa parte dos diálogos é em língua indígena. Na plateia formada principalmente por indígenas de São Gabriel, muitos reconheceram sua língua.
“Eu esperei muito pelo lançamento do filme aqui em São Gabriel da Cachoeira e ainda sonho com a exibição no território indígena. Logo após o filme ficar pronto, veio a pandemia. E isso atrasou esse encontro que acontece agora”, disse. Maya Da-Rin também realizou uma oficina de cinema com os comunicadores da Rede Wayuri.
O senhor Laurentino, povo Desana, conhecedor tradicional, assistiu ao filme e falou da importância da história de cada indígena. “Cada um de nós tem a sua história. O indígena tem que ser protagonista da sua história”, disse.
Essa exibição contou com a presença especial do Dr. Dráuzio Varella, médico, escritor e comunicador que estava em São Gabriel e foi conhecer o Cine Japu.
Em uma parceria com projeto do Museu de Berlim, em uma das sessões foram exibidas entrevistas gravadas no Rio Negro com a temática do contato entre indígenas e não indígenas. A roda de conversa foi conduzida pelo comunicador Ray Baniwa. Na plateia, estudantes de arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) trouxeram a importância do projeto trazer as narrativas indígenas.
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Comunicadores da Rede Wayuri entrevistaram a cineasta Mariana Lacerda no programa Papo da Maloca, em maio de 2023|Ana Amélia Hamdan/ISA
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Maya Da-Rin, diretora do filme A Febre, em entrevista no programa Papo da Maloca, da Rede Wayuri, em outubro de 2023|Ana Amélia Hamdan/ISA
Em duas sessões, foram feitos convites especiais a duas comunidades: Os moradores do Waruá, do povo Dâw, assistiram ao filme Gyuri. Já a comunidade de Itacoatiara Mirim contou com a presença da liderança indígena, Luiz Laureano, para assistir ao filme A Febre.
O Cine Japu também promoveu uma sessão infantil, indo até a Escola Mamãe Margarida, voltada a crianças portadoras de necessidades especiais.
Entre outros convidados, também conduziram as rodas de conversa a antropóloga do ISA Dulce Morais, a economista do ISA Ana Letícia Pastore, a defensora Isabela Sales, a coordenadora do DMIRN, Cleocimara Reis, do povo Piratapuya e as lideranças femininas Edneia Teles, do povo Arapasso e Rosilda Cordeiro, do povo Tukano.
Um dos grandes incentivadores do projeto foi o arcebispo de São Gabriel da Cachoeira, Dom Edson Damiam, que esteve presente na maioria das sessões e ainda fez divulgações na missa na catedral da cidade. Entre outros apoiadores estão o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Colégio São Gabriel, ICMBio, Defensoria Pública e Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai).
A primeira sessão de 2024 aconteceu ainda em abril, Mês dos Povos Indígenas. Na terça-feira, dia 30 de abril, a Sala Dagoberto Azevedo, Suegu, na sede do ISA, recebeu moradores da comunidade Waruá, alunos do curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), professores, pesquisadores e o público em geral para a exibição do filme Línguas da Floresta (direção Juliana de Carvalho e Vicente Ferraz). O filme traz imagens gravadas em São Gabriel da Cachoeira e outros locais.
No evento, uma roda de conversa com a presença de Roberto Sanches, liderança do povo Dâw, e do professor Flávio Ferraz, do povo Wanano, discutiu o fato de que em São Gabriel - a terceira cidade mais indígena do país - muitos dos nomes das ruas, praças e pontos turísticos não são em línguas indígenas.
As sessões do Cine Japu acontecem quinzenalmente às terças-feiras, às 19h, no Telecentro do ISA. A entrada é gratuita e ainda há distribuição de pipoca e suco. Participe!
Dráuzio Varella com os comunicadores João Alex Yanomami, Juliana Albuquerquer Baré, Suellen Samanta Baré, Deise Alencar Tukano e José Paulo Piratapuya|Ana Amélia Hamdan/ISA
Diretora Maya Da-Rin durante oficina de cinema com os comunicadores da Rede Wayuri, em outubro de 2023|Ana Amélia Hamdan/ISA
Ray Baniwa conduz debate sobre o contato dos indígenas e não indígenas no alto rio Negro, em novembro de 2023|Ana Amélia Hamdan/ISA
A comunicadora Suellen Samanta, do povo Baré, conduziu as rodas de conversa do Cine Japu|Ana Amélia Hamdan/ISA
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No Rio Negro, cartilha aborda cuidados com o uso do álcool entre indígenas
Material discute consumo de bebidas tradicionais e industrializadas, informando sobre riscos e apontando alternativas de enfrentamento à questão
A cuia de caxiri, uma bebida fermentada apreciada pelos indígenas do Médio e Alto Rio Negro (AM), juntamente com a pimenta, cipós e chás, constituem elementos tradicionais fundamentais para os povos dessa região. Estes elementos, combinados com outras substâncias, preparos e alimentos, desempenham um papel essencial no fortalecimento das atividades coletivas, na coesão das comunidades, nos laços familiares e nos rituais.
O material aborda o problema do abuso de álcool nessa região, oferecendo diversas estratégias de redução de danos, cuidados e fortalecimento para lidar eficazmente com essa questão.
Apesar da falta de dados oficiais, a percepção dos indígenas, das organizações e de profissionais da saúde é de que o abuso do álcool vem crescendo nas áreas urbanas e nos territórios indígenas.
Deslocado do contexto cultural e ritualístico, o uso da bebida vem ganhando contornos preocupantes. Alguns problemas pontuados na própria cartilha são: mortes causadas por brigas, violências contra as mulheres e as crianças, acidentes, afogamentos e enforcamentos.
A cartilha aborda o tema de forma intercultural e interinstitucional, abrindo para discussão das formas de enfrentamento ao problema.
Desenvolvido pelo Instituto Socioambiental (ISA) e Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), o material foi elaborado em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e com apoio de instituições do município.
Coordenador do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (DAJIRN/Foirn), Elson Kene explica que o conteúdo começou a ser preparado antes da pandemia, sendo que a crise sanitária acabou atrasando a sua divulgação. “Com esse material, vamos ampliar a conscientização e buscar parcerias para minimizar o problema”, explicou.
A liderança indígena Adelina Sampaio, povo Desana, é ex-coordenadora do DAJIRN/Foirn e deu início ao trabalho de construção da cartilha, após rodas de conversas realizadas em escolas de São Gabriel da Cachoeira, onde o problema foi trazido pelos estudantes e professores.
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Trecho de cartilha editada por ISA e Foirn no Rio Negro/Divulgação
“Em 2017, com problemas de homicídios, suicídios e outros problemas sociais, a gente começou a fazer uma conversa dentro das escolas de São Gabriel da Cachoeira. E fizemos esse apanhado para criar essa cartilha. Foi um trabalho muito estruturado com presença do Conselho Tutelar, DSEI, Diocese, Foirn, ISA e outros parceiros. O DAJIRN trabalhou na construção dessa rede. A cartilha não apenas reconhece a existência do problema, algo já discutido durante as rodas de conversa, mas também busca oferecer estratégias para enfrentá-lo. Sabemos que só conseguiremos superar esses desafios com o engajamento de todos”, disse.
A organização é de Dulce Morais, assessora de gênero do Programa Rio Negro do ISA; as ilustrações são de Larissa Ye´padiho Mora Duarte, povo Tukano, e o projeto gráfico e diagramação são de Ray Baniwa, da Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas do Rio Negro.
O material está sendo levado ao território indígena pelos articuladores e articuladoras e foi entregue também ao DSEI-ARN, que vem desenvolvendo atividades com apoio do material. A Rede Wayuri também fez a divulgação na programação da rádio web.
Lançamento em São Gabriel da Cachoeira
O lançamento aconteceu em fevereiro, na Sala Dagoberto Azevedo – Suegu, na sede do ISA em São Gabriel da Cachoeira (AM), reunindo parceiros como a Diocese e órgãos da saúde e da educação.
Na sequência, houve uma semana de atividades de formação para que o conteúdo fosse levado e discutido no território indígena. Essa etapa foi conduzida pelas antropólogas do ISA, Carla Dias e Dulce Morais, pela coordenadora do DMIRN/Foirn, Cleocimara Reis, e por Elson Kene.
Os encontros reuniram articuladores e articuladoras de jovens e mulheres indígenas de todas as regiões do Médio e Alto Rio Negro da área de abrangência da Foirn.
O antropólogo Bruno Marques esteve no lançamento da cartilha e participou das oficinas. “No tempo antigo, o uso da bebida era tido como uma prática de cuidado e saúde, fazendo parte de rituais com outros elementos, como os benzimentos”, reforçou.
Terapeuta ocupacional, Maria Antonieta Dias, referência em Centro de Atenção Psicossocial – álcool e drogas (Caps-ad) – e redução de danos, participou da formação de forma remota.
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Equipes da Foirn e do ISA estiveram presente no lançamento da cartilha, em São Gabriel da Cachoeira|Ana Amélia Hamdan/ISA
Jaqueline Gonçalves, referência técnica de saúde mental do DSEI-ARN também contribuiu com a formação. Ela apresentou alguns dados levantados pelo DSEI corroborando a preocupação com o uso abusivo de álcool e o manejo desse problema por meio de políticas públicas de saúde integral e humanizada.
Durante o encontro, houve roda de conversa para que os indígenas pudessem trazer os principais pontos do problema.
Articuladora de jovens Josiane Silva Pereira, do povo Tariano, vive no distrito de Iauaretê, que fica próximo da fronteira com a Colômbia, e participou da oficina representando a sua região. Ela informa que, como articuladora de jovens, fará o trabalho de levar adiante as informações disponíveis na cartilha.
“A gente vê na realidade que é um problema difícil. Tem muito adolescente e jovem com problemas com álcool e até alcoolismo. A gente percebe um aumento enorme. E é complicado reduzir, mas uma forma de avançarmos é pela conscientização”, disse.
Neste 19 de abril, Dia Nacional dos Povos Indígenas, em que se comemora a diversidade cultural, ancestralidade, preservação da história, luta pelos direitos e resistência contra todas as formas de violência, preconceito e discriminação aos povos indígenas, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) lança o novo site da organização mais representativa do povo Yanomami e Ye’kwana, presidida pelo xamã e liderança política, Davi Kopenawa Yanomami.
Davi Kopenawa, xamã, liderança Yanomami e presidente a Hutukara Associação Yanomami. Site novo foi ao ar no Dia Nacional dos Povos Indígenas|HAY
O novo layout traz sete sessões, onde o público pode encontrar quem são os povos Yanomami e Ye’kwana, quem é a Hutukara e as principais linhas de trabalho, além de mapas com localização do território, delimitação, comunidades, áreas afetadas pelo garimpo e ainda conhecer as lideranças que estão à frente da HAY.
O vice-presidente da HAY, Dário Vitorio Kopenawa, disse que a nova página é uma ferramenta fundamental para dar visibilidade aos trabalhos da associação, que completa 20 anos em novembro deste ano. “Importante para mostrar o trabalho da Hutukara, principalmente para os não indígenas para olhar, conhecer e respeitar. É o fruto do nosso trabalho. Estudantes, autoridades, acadêmicos, pesquisadores vão conhecer as atividades que estamos promovendo, os nossos compromissos e prioridades. Mostrar para a sociedade o trabalho que a Hutukara vem fazendo há muito tempo”, destacou.
Ações de proteção territorial, produtos da floresta e governança institucional estão entre as linhas de trabalho da HAY, disponíveis na nova página eletrônica. Diante da invasão do garimpo, uma das principais ações da Hutukara tem sido a implantação de atividades de proteção ao território. Ano passado jovens Yanomami e Ye’kwana, que vivem nas calhas do Rio Uraricoera, regiões mais afetadas pela mineração ilegal, participaram de oficinas de operadores de drones, com o objetivo de mapear e registrar a presença dos invasores, nessa mesma linha foi instalado o sistema de alerta na Terra Yanomami, que registra e denuncia situações vulneráveis de saúde, ambiental e territorial.
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Um dos ambientes do novo site da Hutukara Associação Yanomami traz um mapa da Terra Indígena Yanomami, a maior do País|HAY
Localizada ao extremo norte do Brasil, na fronteira com a Venezuela, a Terra Indígena Yanomami é a maior do Brasil, com mais de nove milhões de hectares e atualmente com uma população de cerca de 32 mil habitantes, entre os povos Yanomami e Ye’kwana. O diretor-financeiro da HAY, Maurício Ye’kwana, nascido na comunidade Fuduwaaduinha, na região de Auaris, vem atuando na Hutukara desde 2008. “Credibilidade e facilidade nas informações, o site é um grande avanço de um novo momento para a Hutukara. Como representante do povo Ye’kwana, acredito que esse trabalho da comunicação vai facilitar as nossas ações junto a outras associações indígenas, parceiros e apoiadores”.
O site traz galerias de fotos e vídeos dos principais acontecimentos da associação e faz conexões com as redes sociais da Hutukara o Instagram, Facebook e Youtube, que traz as principais notícias e ações cotidianas realizadas.
“A Terra Yanomami completou 30 anos, a Hutukara vai fazer 20 anos esse ano e tudo isso fica e vai ficar registrado no nosso site. Uma rede de comunicação muito grande para colocarmos a nossa história de luta e de conquista, de conhecimento da tradição e cultura, resistência, xamanismo, línguas. Uma conquista não somente nossa, mas de todos os povos indígenas do Brasil”, finaliza Dário Vitorio Kopenawa.
O layout do site é da artista Raquel Uendi, que já realiza trabalhos junto aos povos indígenas e é responsável também pelo site da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).
A Hutukara é o principal parceiro estratégico do Instituto Socioambiental (ISA) em Roraima.
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Filme ‘A Queda do Céu’ apresenta cosmologia Yanomami com estreia em Festival de Cannes
Documentário centrado em ritual dos Yanomami é inspirado no livro de mesmo nome escrito pelo xamã Yanomami Davi Kopenawa e o antropólogo francês Bruce Albert
Criado em 1946, o Festival de Cannes é um dos mais famosos e prestigiados festivais de cinema do mundo. A 77ª edição está marcada para acontecer de 14 a 25 de maio neste ano. A data para primeira exibição de “A Queda do Céu” ainda deve ser anunciada.
O documentário, dirigido por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, é centrado na festa Reahu, ritual funerário e a mais importante cerimônia dos Yanomami, que reúne centenas de parentes dos falecidos com a finalidade de apagar todos os rastros daquele que se foi e assim colocá-lo em esquecimento.
“É um filme onde a câmera não olha só para os Yanomami, mas para nós não indígenas também. E isso sempre foi um fundamento do filme tanto para mim quanto para Eryk. Trabalhamos para fazer um filme que expressasse a materialidade onírica de uma relação”, explica Gabriela.
A partir de três eixos fundamentais do livro (Convite, Diagnóstico e Alerta), o filme apresenta a cosmologia do povo Yanomami, o mundo dos espíritos Xapiri pë, o trabalho dos xamãs para segurar o céu e curar o mundo das doenças produzidas pelos não- indígenas, o garimpo ilegal, o cerco promovido pelo povo da mercadoria e a vingança da Terra.
Lançado em 2010, originalmente em francês, “A Queda do Céu: Palavras de um Xamã Yanomami” reúne reflexões de Davi Kopenawa, contadas ao seu amigo Bruce Albert, sobre o contato de seu povo com os não indígenas desde os anos 1960.
“O filme é um diálogo com o livro homônimo de Davi Kopenawa, xamã Yanomami e um dos maiores líderes indígenas do mundo, e Bruce Albert, antropólogo francês. A obra é considerada por muitos especialistas como uma das mais importantes da contemporaneidade”, explica a Aruac Filmes.
Além da produção da Aruac Filmes, o filme conta com apoio do Instituto Socioambiental (ISA), co-produção da Hutukara Associação Yanomami (HAY) e Stemal Entertainment com Rai Cinema e produção associada de Les Films d'ici.
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Davi Kopenawa, xamã yanomami e autor do livro A Queda no Céu|Bruno Kelly/Amazônia Real
Sobre os diretores
Eryck Rocha, é natural de Brasília e já disputou a Palma de Ouro de melhor curta-metragem por “Quimera” em 2004. Além disso, recebeu o L'Œil d'or (Olho de Ouro) de melhor documentário no Festival de Cannes por ‘Cinema Novo’ em 2016.
Gabriela Carneiro da Cunha, nasceu no Rio de Janeiro e faz sua estreia em direção de cinema com “A Queda do Céu”. A artista também é atriz e idealizadora do projeto Margens - sobre Rios, Buiúnas e Vagalumes por meio do qual desenvolveu as peças “Guerrilha” e “Altamira 2042”.
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Funai, Foirn e ISA celebram Acordo de Cooperação para fortalecimento de ações no Rio Negro
Iniciativa prevê integração entre poder público e sociedade civil para promover avanços na defesa de direitos e territórios indígenas da região
Com o objetivo de somar esforços para ações de fortalecimentos dos povos indígenas e proteção dos territórios na região do Rio Negro (AM), foi assinado em Brasília, na segunda-feira (15/04), Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e o Instituto Socioambiental (ISA).
“Este acordo de cooperação visa à implementação de uma série de atividades e ações que estão propostas para essa região do Rio Negro”, explicou Joenia Wapichana, presidente da Funai. Ela ressaltou que o instrumento deve servir para somar esforços no fortalecimento dos direitos dos povos indígenas e as políticas públicas previstas para a região do Rio Negro, no Estado do Amazonas.
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Da esquerda para a direita: a secretária executiva do ISA, Adriana Ramos, o diretor-presidente da Foirn, Marivelton Barroso, povo Baré, e a presidente da Funai, Joenia Wapichana|José Rui Gavião/Funai
O Acordo de Cooperação Técnica tem por objeto a atuação conjunta entre a Funai, Foirn e ISA com as organizações indígenas locais para a implementação de ações de gestão territorial, sustentabilidade e governança, conforme a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).
O diretor-presidente da Foirn Marivelton Barroso, do povo Baré, afirmou que o acordo promove a integração de agenda e pautas de gestão ambiental e territorial, com cada agente atuando em sua área de responsabilidade.
“Este momento traz a retomada dos Acordos de Cooperação Técnica da sociedade civil, organizações indígenas e indigenistas, que trabalham em determinados territórios. Temos ações voltadas às Terras Indígenas, que são de responsabilidade da Funai, órgão indigenista do país, que se soma à representatividade da Foirn e à agenda socioambiental que inclui o ISA como parceiro estratégico nesta região”, disse.
Fundada em 1987, a Foirn representa 23 povos indígenas, 93 organizações de base, sete Terras Indígenas já reconhecidas oficialmente pelo Governo Federal e três ainda no processo de regularização fundiária.
A sede da instituição fica em São Gabriel da Cachoeira, terceiro município mais indígena do país, localizado na região do Rio Negro, em uma das áreas mais preservadas do país.
Para a secretária executiva do ISA, Adriana Ramos, o acordo é um marco para o avanço das políticas e defesa dos direitos indígenas. “É uma alegria para o ISA firmar esse acordo de cooperação. São décadas trabalhando na região do Rio Negro em parceria com a Foirn. E poder contar com uma articulação que envolve a Funai, com esse compromisso de fazer avançar as políticas de defesa dos direitos indígenas na região, é extremamente satisfatório. Temos aqui um marco de como a sociedade civil pode contribuir com o Estado e com os povos indígenas para a garantia dos direitos”, comemorou.
Também esteve presente pelo ISA a advogada do Programa Rio Negro, Renata Vieira.
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Assinatura do Acordo de Cooperação Técnica aconteceu no mês dos Povos Indígenas, na sede da Funai, em Brasília|José Rui Gavião/Funai
O ISA atua na região por meio do Programa Rio Negro (PRN) e tem sede em São Gabriel da Cachoeira, mantendo equipes atuando em áreas como pesquisas inteculturais, economia da sociobiodiversidade, assessoria jurídica, comunicação, fortalecimento da gestão territorial e de associações.
Além de Marivelton Baré, representaram a Foirn o diretor Dario Baniwa, Carlos Nery, diretor da Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro (Caimbrn), o coordenador da Caimbrn eleito, Marcos Zeidam e a advogada Mayte Ambrósio.
Também estiveram presentes pela Funai a coordenadora da Funai - Coordenação Regional Rio Negro, Maria do Rosário Piloto, Dadá Baniwa; as diretoras de Proteção Territorial, Janete Carvalho; de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Lucia Alberta; e de Administração e Gestão, Mislene Metchacuna; o coordenador-geral de Gestão Estratégica da Funai, Artur Nobre e a procuradora federal especializada junto à Funai, Carolina Augusta. O chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Tacius Fernandes, representou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
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60ª Bienal de Veneza recebe 31 obras de artistas Yanomami
Maior e mais antigo evento de arte do mundo conta com 13 desenhos de Joseca Yanomami e 18 obras de André Taniki
Na entrada da Bienal, Joseca Yanomami posa em frente a um mural de setecentos metros quadrados pintado pelo Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAHKU), coletivo artístico indígena da Amazônia|Daniel Jabra
Trinta e uma obras de artistas Yanomami serão exibidas na 60ª Bienal de Arte de Veneza - o maior e mais antigo evento de arte do mundo - de 20 de abril a 24 de novembro de 2024. Intitulada Foreigners everywhere (Estrangeiros em todos os lugares), a Bienal conta com 13 desenhos de Joseca Yanomami e 18 obras de André Taniki.
Joseca participa da pré-abertura do evento de 16 a 19 de abril a convite da própria Bienal de Veneza e com apoio da Hutukara Associação Yanomami (HAY) e da Galeria Millan. A edição dará visibilidade a artistas de grupos marginalizados como indígenas, imigrantes e refugiados.
Taniki também foi convidado pela Bienal de Veneza, no entanto, tem mais de 80 anos e não poderá comparecer pela sensibilidade de sua idade. Além de artista, Taniki também é um xamã que vive no Alto Rio Catrimani - região onde a arte dos desenhos foi apresentada pela fotógrafa Claudia Andujar - e que produziu a maior parte de suas obras dos anos 1970 a 1980.
A participação do artista na abertura do evento é considerada fundamental para reconhecimento da trajetória dele e para a divulgação da luta yanomami no âmbito internacional.
“Estou muito feliz nesta viagem para participar [da Bienal de Veneza]. É uma felicidade muito grande”, disse Joseca pouco antes de embarcar no aeroporto em São Paulo com destino a Veneza.
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Joseca posa junto a obra exposta na Bienal de Arte de Veneza. O desenho, feito em 2011, retrata indígenas Yanomami na floresta|Daniel Jabra
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Evento de arte na Itália conta com 13 desenhos de Joseca Yanomami e 18 obras de André Taniki|Daniel Jabra
Os desenhos que farão parte da exposição foram cedidos pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP), que há três anos adquiriu 92 obras de Joseca e em 2022 realizou a exposição “Joseca Yanomami: Nossa Terra-Floresta”.
O repertório do artista Yanomami é composto pelas inspirações da cosmologia de seu povo, fazendo referência aos cantos, mitos xamânicos, a floresta, a defesa do território e os sonhos.
Sobre Joseca Yanomami
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Joseca Yanomami ilustra cenas da vida cotidiana na floresta, lugares e eventos evocados pelos mitos e cantos xamânicos|Daniel Tancredi/Platô Filmes/ISA
Nascido na década de 1970, na região do Demini, Terra Indígena Yanomami, e membro da comunidade Watorikɨ, Joseca é um notável artista de seu povo. Há mais de duas décadas, ele começou a desenhar e esculpir animais em madeira.
“Quando eu aprendi a desenhar, eu ouvia os pajés cantando e eu gravava na minha cabeça para desenhar depois”, Joseca contou ao ISA em 2021. “Desenho os parentes, os animais, árvores, os passarinhos, araras, macacos, antas, peixes”.
Joseca também é o primeiro estudioso de línguas de sua comunidade e foi professor em Watorikɨ no início dos anos 1990. Além disso, foi o primeiro Yanomami a trabalhar na área de saúde.
Histórico de exposições com obras de Joseca Yanomami
Yanomami: O Espírito da Floresta - Fundação Cartier para Arte Contemporânea, Paris, França - 2003
Histórias de Verão - Fundação Cartier para Arte Contemporânea, Paris, França - 2012
Histórias Mestiças - Instituto Tomei Ohtake, São Paulo, Brasil - 2014
Nós, as Árvores - Fundação Cartier para Arte Contemporânea, Paris, França - 2019
Mundos Indígenas - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil - 2020
Árvores - Power Station of Art / Fundação Cartier para Arte Contemporânea, Xangai, China - 2021
Moquém Surari: Arte Indígena Contemporânea - Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil - 2021
Kaue Ferreira, do ISA, com a camiseta da Pimenta do Rio Negro|Claudio Tavares/ISA
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Clara de Assis, do ISA, com a camiseta do Babaçu do Xingu|Claudio Tavares/ISA
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Patrícia Ribeiro, da Rede Xingu+, com a camiseta de Muvuca de Sementes|Claudio Tavares/ISA
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Veronice Cardoso, do ISA, com a camiseta da Roça Quilombola|Claudio Tavares/ISA
A série de camisetas “Alimento para corpo e alma”, lançadas pelo Instituto Socioambiental (ISA) como parte da celebração dos 30 anos da organização, apresenta exemplos da biodiversidade que são fruto dos saberes e modos de vida de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. As ilustrações são de Catarina Bessell.
Estudo publicado pelo ISA mostrou que esses povos e suas economias são responsáveis, juntos, pela proteção de um terço das florestas no Brasil. O impacto positivo é fundamental para nossos tempos: mitigar os efeitos da emergência climática.
Dar visibilidade aos conhecimentos e culturas dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais fortalece seus modos de vida e sua conexão com os territórios.
Essas culturas são patrimônios vivos da cultura brasileira e a relação com a natureza garantiu, continua garantindo e vai garantir a conservação de florestas, rios, mares e os diferentes biomas do país.
Com isso, as associações se fortalecem nos processos de organização e comercialização dos produtos, e se tornam agentes de articulação de suas culturas e da defesa de seus direitos.
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Patrícia Ribeiro, da Rede Xingu+, com a camiseta do Pequi do Xingu|Claudio Tavares/ISA
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Kaue Ferreira, do ISA, com a camiseta da Roça Quilombola|Claudio Tavares/ISA
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Francisco de Sousa, do ISA, com a camiseta do Babaçu do Xingu|Claudio Tavares/ISA
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Clara de Assis, do ISA, com a camiseta da Pimenta do Rio Negro|Claudio Tavares/ISA
Para quem compra, cada camiseta traz os saberes de povos e comunidades, bem como suas lutas e resistência para manter suas culturas e territórios, fundamentais para a regulação do clima.
Com as economias da sociobiodiversidade, o futuro pode ser outro. Vista essa camisa!
Camiseta Pequi do Xingu
A série de camisetas “Alimento para corpo e alma” apresenta o Pequi do Xingu, fruto que simboliza a economia do cuidado com as florestas do povo Kisêdjê, em Mato Grosso. A iniciativa de produção de óleo a partir do pequi do Xingu recebeu o Prêmio Equatorial, da ONU, em 2019.
A série de camisetas “Alimento para corpo e alma” apresenta a Muvuca de Sementes, técnica que mistura saberes e sementes para o processo de restauração florestal. As sementes são coletadas por povos e comunidades tradicionais para, em seguida, serem semeadas em áreas degradadas e beiras de rio e gerar as florestas do futuro.
A série de camisetas “Alimento para corpo e alma” apresenta o Babaçu do Xingu, fruto que movimenta as organizações indígenas e ribeirinhas da região da Terra do Meio, em Altamira, no Pará. A farinha do coco babaçu, produzida a partir de sua entrecasca, é rica em nutrientes e tem começado a fazer parte da merenda escolar na região.
A série de camisetas “Alimento para corpo e alma” apresenta a Roça Quilombola, parte do Sistema Agrícola Tradicional Quilombola, reconhecido pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial do Brasil. A roça quilombola é símbolo da diversidade agrícola das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, no sudeste de São Paulo, retratada no filme “Do Quilombo pra Favela - Alimento para a resistência negra”.
A série de camisetas “Alimento para corpo e alma” apresenta as Pimentas do Rio Negro, um dos símbolos da diversidade agrícola dos povos indígenas da região, no noroeste do Amazonas. São ao menos 78 variedades de pimentas, que desidratadas e piladas com sal produzem a jiquitaia.
Clara de Assis Andrade, assessora da secretaria executiva do ISA Francisco Cleunilton Moreira de Souza, técnico em administração da loja Floresta no Centro, do ISA Kauê Fillip Ferreira Silva, assistente administrativo do ISA Patrícia Ribeiro Castanha, assistente administrativa da Rede Xingu+ Veronice Cardoso Matos, assistente administrativa da loja Floresta no Centro, do ISA
Fotografia: Claudio Tavares, documentalista do ISA
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